A relação Homem/Técnica e a questão da “neutralidade tecnológica”:
uma crítica filosófica à luz das contribuições heideggeriana e orteguiana
Palabras clave:
filosofia da tecnologia, neutralidade tecnológica, técnica, Martin Heidegger, José Ortega y GassetResumen
Este ensaio empreende uma desconstrução crítica da narrativa da neutralidade tecnológica, recorrendo ao pensamento de Martin Heidegger e José Ortega y Gasset. A concepção comum de que a tecnologia é um conjunto de ferramentas passivas, cujo valor moral depende do uso humano, é aqui questionada como filosoficamente insustentável. A partir da perspectiva ontológica de Martin Heidegger, demonstra-se que a essência da técnica moderna (Gestell) não é meramente instrumental, mas um modo impositivo de "desencobrimento" que enquadra a realidade como um "fundo de reserva" disponível para cálculo e otimização, moldando ativamente a percepção e a existência. Em paralelo, a análise antropológica de José Ortega y Gasset revela a técnica como dimensão constitutiva do ser humano, inseparável de um "projeto vital" e de uma concepção de bem-estar. Sendo uma expressão da busca humana por uma vida boa, a técnica é, por natureza, intrinsecamente carregada de valores e propósitos. Embora partindo de horizontes distintos, ambos os pensadores convergem ao evidenciar que a tecnologia é uma força ativa que conforma a realidade, a subjetividade e os horizontes de possibilidade. A conclusão fundamental é que abandonar o mito da neutralidade é um passo indispensável para uma reflexão ética e responsável sobre os rumos de nossa civilização digital.
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